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I love me.


Uma vez, aquela conversa boba entre nós. 

- Quero você
- E agora com a frase “quero você” você finaliza dizendo que sou apenas um objeto em sua prateleira... Aquele que você escolhe...
- Não coloque palavras em minha boca...
- Não coloquei nada só esclareci aquilo que não teve coragem de dizer com todas as letras.
- Você é dramática. Chega de tempestade.
- Que tempestade, quem esta fazendo tempestade é você.
- Me sinto orgulhosa, pela primeira vez disse o que queria dizer quando queria dizer.
- Isso não é um monologo e nem uma discussão...
- Mas você por uma vida toda fez com que eu acreditasse que isso era um monologo, discutido por você, onde eu não coloquei minhas idéias, onde eu não optei, saiba que hoje eu tenho algo melhor para fazer, e outra coisa para me preocupar.
(silêncio- Pausa dramática)
- O que?
Me amar.

Quem é você?





Roubando vidas: Existem diversas pessoas, as que roubam as que matam e as que apenas vivem, nem para ser notadas, nem percebidas ou lembradas, estou nesta categoria. Vou vivendo, percebeu? Todos matam alguém ou algo, um sentimento dentro de si ou de outros, ou a si mesmo. É o filme é assim que as coisas são.  Todos roubam alguém ou a si mesmo, até mesmo uma vida eles roubam, eles mentem, já estão craques em ser o que são. Vieram aqui para isso. Enganam, fingem, simulam, e eu? O que faço? Vivo, não é?
Não quero que me notem, porque ao ser notada automaticamente, vou roubar o coração de alguém, e já mudei de categoria, não quero ser lembrada posso matar alguém de saudade, não quero ser percebida posso roubar olhares, e minha categoria é a vida. Não quero roubá-la, matá-la... Estou bem, ouviu?
Pelo menos assim, quando me perguntam se estou bem, sei que é só sinal de educação, ninguém quer saber da vida de uma ninguém. Quando passo, sei que não terá problema se eu cair ninguém vai assimilar aquele rosto, o meu rosto, amanhã.
E agora é mais difícil de me magoar, eu me adaptei, eu encaro as coisas com realismo. Queria ser protagonista daquele conto de fadas, mas não é assim, queria ser a princesa, mas as coisas não são assim, quem não arrisca não petisca, e eu aposto alto.
Desculpa, mas aquela filha, aquela menina, mudou, cresceu, morreu. Agora é só a carcaça, em corpo e carne, porque a alma, não vale mais á pena. Então eu sou uma ladra, roubei a minha própria vida, e minhas oportunidades... Agora já era.

A pergunta que lhe deve ser útil, é "Quem é você?"

Criminosa.




Desculpa, mas não existe imunidade cometer erros é da natureza humana,
você escolhe:
Quando...
Onde...
E como...
Sei que arrisco, mas vou pagar o preço, jogar tudo nas mãos da sorte, se não der dei azar. O sucesso ou não da trama esta em minhas mãos. Eu escrevo minha história, e ela tem loucuras, vou morrer amanhã o mais tarda, e vou me levantar depois, virei mestre quando o assunto se trata de ressurreição.
                Não sou criminosa então porque me trata assim, com esse olhar de quem procura pelo culpado, ás vezes não dou sorte, é tudo questão do destino... Sei que sou protagonista da minha história e não uma coadjuvante... Você me guiou, agora eu tenho o caminho, e se ele acabar eu o faço com as mãos, para com esse medo, obcecada, destrutiva, corrosiva.  Assim são seus olhos.  
                Não vejo mais amor. Você me moldou com cinzel de dor, e pinceladas ácidas das suas lagrimas, Daqui para frente, o ódio alimenta, a desesperança atormenta, e a gente vive.
E eu ainda continuo com aquela sensação de culpada, você queria então conseguiu. Cuidado com o que deseja da próxima vez vai criar um monstro, e nem vai perceber.

“Aquela que no corpo inabitado vivia morre e nasce outra estranha para habitar o mundo inabitável. A história de um final feliz.“

Coração Amargurado.


Se for eu, pensei que era retalho de pano, que se rasgava facilmente com toda sua delicadeza. Tudo ia e vinha, sem fazer o menor sentindo e não precisava, pensei que houvesse uma chama incendiando meu coração, tomando-o por trevas, onde nevavam brasas, Lagrimas vão cair amarguradas sempre que tocarem em seu nome eu justificarei que eu poderia chorar, assim poupar-me-ia de viver atrás da mentiras. Cheguei a sonhar que quando você me visse, olhasse em meus olhos saberia que ainda sinto tudo aquilo por você. Pensei que ao ver meu rosto se lembrasse que não está acabado, foi e nem selou com um beijo de partida, foi e nem disse adeus. “Nos meus braços você se foi.
Nos seus braços quero acordar.”
Segurei-me na entrada da nossa casa para não vomitar, me aprisionei dentro de mim, para não falar mais. Lembrei que havia me largado me deixado, estava caída, arruinada. Tento me segurar em algo, mas tudo parece se afastar, como se estivesse em um precipício, nada faz sentido você não esta mais lá... Pensei que quando eu chorasse e a dor não suportasse mais, e ninguém fosse capaz de me ajudar. Eu o encontraria em meus sonhos. E diria que ainda tem meu coração em suas mãos. E de que valeria dizer tanto, para tão pouco? Nada voltaria a ser como antes, eu não tenho você, mas gostaria tanto que se lembrasse de mim, que se lembrasse de mim. Pode ver minha alma? Aposto que sim! Não vá, Não vá... Eu sei tenho um coração inconstante e um amor de amargura, mas deixa-me consertar! Quando foi a ultima vez que pensou em mim, ou que me apagou completamente de sua memória?  Muitas vezes penso onde eu errei, mas quanto mais eu penso menos eu faço.  Por favor, lembre-se de mim, e qual foi à razão que me amou antes, quando vou vê-lo de novo?

Tens meu coração amargurado em suas mãos.   

Do pó ao pó;





As noites eram feitas de pedra, por dias eu fiquei parada ali onde os sentimentos não sabem chegar, onde o sol não alcança. E mesmo assim, ás vezes eu sentia minha ferida latejando pedindo alguma cura, se houvesse cura! (...)  E quando não vi mais soluções, andei perdida, sem caminho para me fazer chegar no destino, para cada rua via um desvio e em cada um sabia que não voltaria para casa.
As lagrimas demoravam a chegar e quando vinham derrubavam a face, chegavam até a boca com um gosto amargo, descarregando cada latejo da dor, cada ferida, e toda verdade. As lagrimas que se deleitavam com os soluços. Os olhos já não viam, com olhos de amor. Quem era eu? O que era eu? Quanto mais distante, menos viva me sentia. E mais vontade sentia de esboçar a verdade.
Em um dos caminhos, quando já sabia que ninguém veria ninguém me acharia, sentei, me encolhi, desejando voltar a  barriga, voltar a não ser nada além de um sopro de vida. Sorri por instantes, pois meu desejo era ridículo, não se tornaria verdade. Pensei até em desejar algo mais palpável como a própria morte o medo dos homens.
Lapsos, lapsos, colapsos, colapsos. Desejando que todo meu sistema nervoso sofra com uma parafernalha, e que tudo pare, pensei mesmo que sofro de covardia, tanto tempo aqui caminhando só por medo de voltar e não resolver nada. E fugindo do meu próprio cadáver.
O cadáver que fede, cadáver sim, porque só quem não age nem reage são os mortos, morri! Morri em vida, morri, nada além de meus olhos gesticulam,  parece que o vento me paralisou, assim mesmo em posição fetal, quem sabe eu já não me acorde para ver o sol amanhã, e permaneça gelada mesmo, como o vento e meu coração.
Em um estalar de dedos, abro os olhos, estou em casa, só pensando como seria bom colocar tudo para fora, só com a vontade de desviar o caminho, fugir.
Eu tenho um rumo, só não encontrei, e não sei quanto tempo vai durar para achar, mas sei que se eu continuar na mesma situação, eu jogo tudo fora, e volto a ser nada.  Do pó ao pó.