Páginas

Personalidades













São onze mil novecentos e sessenta e sete passos da escola até aqui, acredite com tantos passos eu não estou cansada, contudo frustrada como foi que consegui contar tantos passos ao invés de observar o horizonte acinzentado no caminho? Horizonte que se mostra impetuoso.
Mais uma vez são onze mil novecentos e sessenta e sete passos, dois mil setecentos e vinte carros, me perdia nos números talvez quisesse apenas não ilustrar o script de uma personalidade com mil falsetes e jogos contraditórios, onde nada se encaixa e em ninguém se pode confiar. Mil cento e oitenta e sete passos até encontrar você, como não pude observar o por do sol? São cento e vinte e um dias amando você, são mil quinhentos e trinte e sete vezes dizendo duas palavras todos os dias treze vezes por dia. Tive a pequena impressão de te amar incomensuravelmente, tive que ser forte o bastante para ver o meu céu ruir três vezes, tentei ser feliz inúmeras vezes, mas sempre pareceu faltar alguma coisa. São dois votos quebradiços de confiança e mais uma tentativa de ser feliz onde parece que ninguém vai dar-me a mão para eu levantar. Fiz menções ao seu nome várias vezes você prometeu me amar, e nunca me magoar, mas não foi coerente com as próprias promessas.
Perco-me em números para não mostrar minhas duas mil personalidades, estou esquecendo de ser quem eu sempre fui, dois mil anjos em uma pessoa só .

Sentimentos







Não sei de onde partiu tanta dor, dediquei tantos dias meus aos seus, abdiquei de tanta coisa, entrei nesta história de cabeça, sem medo de sofrer, perder, eu acreditei em você.
Ontem esperei por você, só para uma explicação no mínimo convincente, algo que me acalmasse, um defeito, um erro, qualquer coisa, mas nada, você não me disse nada, não me deu uma desculpa suficientemente plausível.
Após horas de tanto choro dormi, pensei em como fui boba, eu me aperfeiçoei em amá-lo e você sabendo de tudo sobre a minha história fez promessas, e eu acreditei. O difícil não é terminar um relacionamento supostamente tão “curto” sem futuro, o duro é saber que eu montei um escudo durante dois anos, que um cara como você desmontou em tão pouco tempo.
Não sei se chorei pela dor do fim, ou a da ira, inveja. Todos são felizes, porque eu não? Eu errei tanto onde? O fato de não acreditar em Deus, não me faz fazer coisas más, pelo contrário eu não preciso de Deus, para fazer coisas boas.
Eu me enganei mesmo, quando eu era mais nova, ou melhor, materialista, “capitalista” pensava em adquirir riquezas, bens, morar em um palácio, é conto de fadas eu sei, mas quando eu pensava em você, nós eu só precisava de uma casinha que acolhesse nosso amor, aliás, o meu amor.
Acontece que eu nunca achei que sentimentos é algo descartável. Algo que vai e vem. Quando eu gosto, eu simplesmente gosto e nada me faz pensar diferente.
Eu sempre escolho o que é melhor para minha vida, eu sei o que eu quero, mas parece que o destino tem uma maneira no mínimo peculiar de dizer que eu não posso assumir um papel que é dele por direito, e me faz de peteca. E agora quando penso em tudo só consigo pensar no papel ridículo que eu fiz, amando você. O sofrimento só vai durar alguns dias, dias o suficiente para recuperações, depois eu faço questão de odiar ter reencontrado você.

Aonde você vai ?


Sinto de novo a droga da vontade de sair correndo, de me esconder em baixo de uma escada, de um quarto escuro, ou qualquer outro lugar. Sempre que ele diz que a ama. Tudo dói, e quando penso que ele quer construir um futuro ao lado dela? Destruo-me porque esse futuro era meu, ao lado dele. Mas é tão passado. Eu não quero que ele vá embora da minha vida, eu quero que ele fique, mas ninguém entende o que eu sinto. E eu penso que entendo, mas não é bem assim. Ele esta indo embora, embora, pra longe de mim e eu tenho que obrigatoriamente aprender a superar, sem muitos choros, sem muita dor, ou pelo menos fingir que não dói.