As noites eram feitas de pedra, por dias eu fiquei parada ali onde os sentimentos não sabem chegar, onde o sol não alcança. E mesmo assim, ás vezes eu sentia minha ferida latejando pedindo alguma cura, se houvesse cura! (...) E quando não vi mais soluções, andei perdida, sem caminho para me fazer chegar no destino, para cada rua via um desvio e em cada um sabia que não voltaria para casa.
As lagrimas demoravam a chegar e quando vinham derrubavam a face, chegavam até a boca com um gosto amargo, descarregando cada latejo da dor, cada ferida, e toda verdade. As lagrimas que se deleitavam com os soluços. Os olhos já não viam, com olhos de amor. Quem era eu? O que era eu? Quanto mais distante, menos viva me sentia. E mais vontade sentia de esboçar a verdade.
Em um dos caminhos, quando já sabia que ninguém veria ninguém me acharia, sentei, me encolhi, desejando voltar a barriga, voltar a não ser nada além de um sopro de vida. Sorri por instantes, pois meu desejo era ridículo, não se tornaria verdade. Pensei até em desejar algo mais palpável como a própria morte o medo dos homens.
Lapsos, lapsos, colapsos, colapsos. Desejando que todo meu sistema nervoso sofra com uma parafernalha, e que tudo pare, pensei mesmo que sofro de covardia, tanto tempo aqui caminhando só por medo de voltar e não resolver nada. E fugindo do meu próprio cadáver.
O cadáver que fede, cadáver sim, porque só quem não age nem reage são os mortos, morri! Morri em vida, morri, nada além de meus olhos gesticulam, parece que o vento me paralisou, assim mesmo em posição fetal, quem sabe eu já não me acorde para ver o sol amanhã, e permaneça gelada mesmo, como o vento e meu coração.
Em um estalar de dedos, abro os olhos, estou em casa, só pensando como seria bom colocar tudo para fora, só com a vontade de desviar o caminho, fugir.
Eu tenho um rumo, só não encontrei, e não sei quanto tempo vai durar para achar, mas sei que se eu continuar na mesma situação, eu jogo tudo fora, e volto a ser nada. Do pó ao pó.
Eu tenho um rumo, só não encontrei, e não sei quanto tempo vai durar para achar, mas sei que se eu continuar na mesma situação, eu jogo tudo fora, e volto a ser nada. Do pó ao pó.

Oi May, o blog mudou de nome agora é http://ovitorpalmeiras.blogspot.com!
ResponderExcluirBjo