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O tempo.


Impressionante como as coisas nunca mudam.
            Hoje fiz uma pequena mudança no quarto, e encontrei coisas das quais eu não queria lembrar, as nossas lembranças. A caixinha da aliança que você me deu com tanto amor, o laço daquela rosa, vai ver você não era mesmo a pessoa certa, está tudo bem.
            Como dói lembrar, das coisas boas que vivi, e como é bom lembrar, das coisas boas que vivi. Alguns livros, da época de criança estavam nas minhas coisas, e meu pai me dizendo que ao chegar ao ponto de ônibus, eu já perguntava:
– Pai vai demorar?
E ele respondia:
– Você acabou de chegar, queria que o ônibus te esperasse?
  Aquelas coisas que só a inocência de uma criança, podem fazer. Como quando eu passava por um carro, de uma concessionária que ficava pendurado na parede, eu me perguntava:
­­– Como ele foi parar ali? Quem o colocou ali?
E hoje quando passei, por instinto fiz a mesma pergunta de criança, mesmo já sabendo a resposta.
            É tão difícil não lembrar, e é tão dolorido, remoer o passado, olhar cada marca, sentir que cada uma é como o pergaminho de sua própria história.
Dói não ser mais menininha, aquela que corria entre as casas sem a malícia, mas doeria mesmo saber que, eu não cresci nada mesmo com tanta idade.
Eu amo o tempo que passa que faz o desabrochar das flores, que me faz viver e renovar meus amores. O tempo que não para por dores, o tempo que não Pará para te ver sofrer, o tempo que cura, que destrói, é o mesmo que constrói. O tempo senhor de todas as coisas. 

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