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a DOR sem remédio.





Estrangulei a minha dor, e minha voz. Prefiro adormecer no meu próprio pesadelo a acordar e descobrir que isso é um relato da minha realidade assustadora.
Não acreditei, não dei atenção.  Fiquei invisível, não estava aqui, para você, pior que saber que vai morrer, é saber que está vivo, mas já morreu para todos tem muito tempo.
            Eu tenho medo, eu tenho tanto medo, medo de não acordar, de não estar aqui, eu tenho medo de partir, medo de envelhecer antes de viver tudo o que eu quero viver. Eu quero continuar aqui.


Estrangulei minha dor, minha própria dor pedia para sofrer, afoguei os meus gemidos, e sempre foi assim, fui à luta, e não sai de lá. Até carregar a vitória nas mãos.
            Minha dor chora comigo, meus gemidos reprimidos sempre ali presentes invisíveis, e quando visíveis, é só para que eu os sinta, para que eu os veja eu os escute, e toda a amargura dessa minha alma, só eu mesmo posso engolir, um doce amargo gosto de vida pouco sentida, na boca de quem não é querida.  
A dor da tortura, a dor da miséria, da fome de nada de comida, a fome de pessoas sorrindo, a meu redor. A saudade de nada que signifique algo, mas saudade de tudo que nada signifique para você.
A dor que eu sinto, mas ninguém sabe, o choro que eu escuto é meu choro, as lagrimas que caem, são as que me molham, os gritos é meu medo que solta, e tudo por culpa da angústia que me dá um preço.  Um preço de não ser vendido e viver na instante um produto não bem sucedido, e que nunca será vendido, minha angustia. 
A dor da angustia, pequena irremediável, dor incomparável.   
 A que não há nada que cure.

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