Qualquer coisa que puder explicar o gosto amargo em minha língua merece uma chance, uma chance de tentar mudá-lo! Na maior parte das vezes ouço apenas minha voz distorcida ecoando entre as paredes confessando minhas atrocidades, e meus genocídios.
E como é bom relembrar da minha essência, apesar de todos os erros, relembrar disso faz toda a diferença. Como uma mulher de salto, eu ando firmemente sem medo de desequilibrar, quando olho para trás, é para ver onde foi que eu pisei, e não para lembrar por onde foi que eu passei. E quando eu te encontro? Fico em silêncio, é porque não quero que fale também, quero apenas escutar o que seu coração tem há me dizer! E quem disse que eu ando olhando para baixo? Olho para cima por isso que caio sempre, a parte boa, é que eu sempre levanto.
Penso que já me vicie em sentir dor, quando não a sinto bate um vazio.
Nada faz sentindo as pessoas não são as mesmas. Acordo pela manhã todos os dias a mesma hora, procurando a saudade. Eu não posso largar a dor, eu não quero deixá-la ir embora, isso me faz sentir viva. É um sinal. Quem pode acabar com a dor?
Tudo se tornou automático, a observação, as ordens de cada coisa, tudo é normalmente, automático. Eu sou automática, e meu coração é como uma maquina, para cada batida um anjo morre. Minha voz é gélida, estagnada dentro de outro alguém. Acho que não há amor real em mim, ou é assim que me fazem sentir para cada “não”, para cada briga, para cada desarranjo.
Todas as noites antes de dormir, eu grito seu nome em silêncio, você não quer ouvir-me gritar? Vou para sacada e o telhado parece tão frio, o ar é calmo. Causa-me arrepios, onde estará você agora?
Tudo bem não me importo com nada disso. Eu tenho a chance de Gritar, hoje em voz alta. Tudo que não me mata,me fortalece.

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