Bom mesmo seria não lembrar, não me lembrar de nada, nada que me fizesse mal, que me fizesse sofrer, mas agora é tarde lembrei-me de tudo, de mim, de você. De nós. Você me faz ainda sim chorar ainda sim, sofrer.
Queria que tudo fosse bom, que nada me desse medo, queria ser heroína, na droga injetada nas veias, e nos músculos de ferro que também salvam pessoas. Ser de ferro também, para não ser magoada, humilhada, maltratada nunca.
E aí é que vem a questão, engraçadinha até, alguém de ferro sofre? Alguém de ferro não sofre mesmo? Não chora? Não grita, não fala mal? Não sorri? Porque se for assim, eu quero ser humilhada, maltratada e magoada também. Quero sentir cada sensação, e no fim da noite, quando todos dormem, ouvir meu coração palpitar.
Bom mesmo seria ser robotizada, programada, para não sentir, vontades das quais eu não posso fugir, para não sentir palavras ferindo, para não ouvir a saudade gritando. Para correr sempre que visse um problema aproximando-se, para esconder-me nos lugares mais improváveis possível.
Às vezes penso em fazer com que o tempo pare, com que meu coração não bata, com que a saudade, não me faça voltar no tempo, com que o tempo não exista com que o vácuo persista, que esse espaço entre a gente não resista.
Queria tanto mudar, fazer meu coração te aceitar, agir com a razão, não ir embora. Como queria, mas agora é tarde, somos apenas bons amigos.
Queria mesmo, e seria maravilhoso, não desejar nada, e encarar e me contentar com nada. Queria ser feliz, sem precisar. Queria nada querer, tão bem perto de mim. QUERER NÃO É PODER. Não agora!

Nenhum comentário:
Postar um comentário