Acordei pela madrugada, e algo me perturbava não era eu que via, não era eu que sentia, andei até o espelho, o maior que havia em casa. Atordoada, enjoada era assim que me via, e por instantes parei acendi todas as luzes próximas aquele espelho, e olhei a menina de meus olhos castanhos. Não era eu que via, por segundos pude sentir a pele gradativamente congelando, a boca expulsando a fumaça, e as meninas dos olhos negras quase sumindo, com as lagrimas que embaraçavam a vista.
Pensei que talvez eu realmente não seja assim, não seja linda, não seja boa, não seja especial, seja apenas fria e amarga.
Tive medo, e então às lagrimas já não se continham e não se reprimiam de cair, era noite que mal havia? Ninguém poderia ver-me agonizar. Olhava para o espelho, e era como se meus olhos, já fartos, pesados, cansados, me acusassem da pior atrocidade, do pior genocídio.
Chorei, chorei, chorei. Meus olhos me perguntavam quem era aquela que eles viam refletir, se as pessoas a queriam por perto pela beleza avassaladora, ou pela graça, e sorriso. Confusa, mas tão cheia de sentimentos, todos tão verdadeiros, lá estava eu, acabada, angustiada.
Perguntei-me durante horas daquela noite sombria, o que você quer de mim, olhando em minha imagem. O que você quer de mim?
Minhas mãos escorregavam pelo espelho, de tanta dor, meus olhos se fecharam, ajoelhei e me torturei, dizendo que eu queria mudar, queria amadurecer. Na verdade queria ser outra pessoa assim como meus olhos podem mudar de cor.

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