Começar o dia com um punhado de idéias, e um pouco mais de sarcasmo.
Nunca me senti tão bem fazendo algo. Quando me afogo em palavras sem sentido as posto aqui, sem nenhum intuito, só o de fazer-me enxergar o que já não mais podia ver, pelos olhos sujos de neblina.
Primeiramente a tristeza é só um dos diversos estados da mente.
Estado este que deve e merece ser estudado minuciosamente.
Depois quero que reflitam comigo sobre o maravilhoso texto de Pipa.
Uma paixão só vale enquanto temos disposição para entregar-mo-nos. Soube que o amor havia acabado porque, de quando em quando, levava as mãos ao coração e o sentia desacelerado. Eram dias em que o tempo se recusava a passar, e quando a luz do sol se despedia muitos já tinham se confundido com a neblina. A menina, escondida, escrevia. As lembranças gritavam até perder a voz, talvez porque tenham surgido do alento e ali permaneceram. Cálida e transparente, à tarde desabavam sobre si mesmas num recuo inevitável, como se quisesse sussurar-nos que a fuga é sempre inviável. Respirava um ar de carvão e lixívia, como se essa névoa que lhe embaçasse a vista, pudesse lhe devolver o alento das esperanças perdidas. O crepúsculo descia das alturas como um milagre que anunciasse a existência de um paraíso perdido. Viajava sozinha para um mundo de sensações, onde a única coisa que podia ser vista, era o invisível. Deserta, a cidade emergia das ruas e avenidas, como se os prédios e as casas tivessem sido devolvidos por uma maré de cinzas. Foi ali, no eco de uma época que já não existia que o passado lhe voltava a memória, ainda que dele só restassem ruínas. Refém de um tempo que se esvaía como fumaça ao vento, dos que não conseguem mais sentir, e, sobretudo, dos que mais nada esperam. Lá fora o sol ardia incapaz de aquecê-la do frio que sentia por dentro. Como fossem lágrimas petrificadas, os flocos de neve caíam. Um instante antes que os primeiros cones de cristal líquido lhe interditassem a vista, o tempo parou, congelando-a nas lembranças e na vida. Sentiu pela primeira vez que se fundiam. A alma ficou suspensa no ar como uma partícula de poeira fina. Era como acordar em um corpo que não lhe pertencia. No espelho, não era ela. Era uma estranha que via.
Para cada parágrafo que leio afundo mais em pensamentos sobre mim, coisas pesadas que não saem do ar, coisas que desatinam e voltam para arder, com mais intensidade e com mais doer. Parece que a cada palavra dela, me coloco no lugar da pessoa dos fatos da história. Sou incapaz de reconhecer na frente de um espelho, seria apenas uma imagem um vulto, e para cada vez que eu o – olho, vejo - me mais distante de minhas verdades. Verdades estas que seriam moldadas dia pós dia conforme as incríveis descobertas que eu faria. Acabou esvair ou o céu roubou tudo que tinha, e agora só resta esperança, esperar um dia melhor. Quem sabe coma perda gradual da lembrança logo ao ponto que nada faça sentindo não me sinta melhor, não me sinta bem, me sinta maior. ‘Hááá Tudo bem é só uma leitura mesmo.’

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