A menina que via o mundo por fendas.
Via o mundo por fendas na parede, era por onde entrava a claridade, mas ela fascinou-se ao ver que existiam pessoas iguais a ela, por um tempo foi difícil olhar por entre as tais fendas, mas depois... Por dias pensou em desistir daquilo, havia tanta guerra e discórdia, porém existia algo que substituiria todo o ódio e era conhecido como amor, sempre que o via sentia-se feliz, tanto que passou a viver a vida de outras pessoas, comia bem pouco, quase não falava e bebia quase nada. A vida já a havia lhe imposto àquela alternativa, o que restava era apenas aceitar as imposições e buscar a felicidade... Encontrou não da maneira que deveria, mas da que poderia... Ela nem sempre via apenas felicidade, também via coisas deprimentes como mortes, perdas e fins de relacionamentos que pareciam que iria durar para sempre. Foi ai que descobriu, que nem o para sempre é eterno, passava tanto tempo naquelas fendas da parede que passou a desfrutar dos sorrisos, e choros de outras pessoas, e ela até achava legal, pois passou a ser uma novela sempre que ela não gostava de algo mudava de fenda e a novela mudava também... Viveu, os mais belos amores, os mais lindos romances, os mais breves devaneios... Gostaria de terminar essa história dizendo que ela foi feliz para sempre, mas por mais que visse amor em toda parte, ela não podia senti-lo, por mais que soubesse de amor não podia colocá-lo em prática, por mais que quisesse e fosse feliz vendo aquelas histórias não era tão feliz quanto aquelas pessoas. Passou á vida nas fendas e morreu sem conhecer a felicidade, por trás de tantas grades que a protegiam da voracidade e maldade.
Será que as grades realmente a protegiam? E se sim de quê? Será que ela foi feliz na escolha de apenas sentir a felicidade e desfrutar dos sorrisos de outras pessoas? Bem isso, são só umas perguntas de reflexão, nós passamos muito tempo de nossas vidas trancando os sentimentos, e nos sucumbindo aos desejos de outras pessoas, e isso tudo se passa como uma novela... Será mesmo que devemos nos conformar com o que nos foi concedido? Devemos lutar?
Sei que a vida não é fácil, mas se nos privarmos de conhecer a tristeza e o sofrimento, automaticamente nos excluiremos das coisas boas que a vida pode nos dar, é tudo uma questão de escolhas certas ou erradas, para aprender devemos cair, e infelizmente sabemos que não aprenderemos se o tombo não nos machucar. Escolhas estas que devemos fazer logo cedo... O que a vida nos impõe são apenas barreiras, e nós décimos se vamos pular tais barreiras, quebrá-las ou apenas pegar outro caminho... A felicidade está imposta o choro também, mas continuar feliz, ou chorando, isso só depende de nós mesmos e das escolhas que faremos. Aprendi que não preciso sorrir quando estou triste, não preciso forjar uma falsa felicidade, e o resto se resolve com o tempo, algumas coisas demoram mais que as outras, e isso não quer dizer que devemos apenas sentar e esperar que elas pousem em nossas mãos assim como as borboletas... Descobri que me esconder ou viver atrás de grades que eu criei para me proteger não me fortalecerão pelo contrário me deixarão fraca o suficiente para morrer sem ser feliz. Eu ainda encontro a minha felicidade na janela de frente para o sol de todas as manhãs, tal responsável para aquecer o meu viver.


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